Teresa de Benguela

Dia da Mulher Negra

Teresa de Benguela, líder do quilombo do Quariteré em Vila Bela da Santíssima Trindade, Vale do Guaporé, há aproximadamente 548 km da capital do Mato Grosso, Cuiabá. Era, como a identificação dada pelos portugueses da época, uma “africana de Angola”, embarcada no porto de Benguela, o que aponta para a região em que vivia, antes da escravização.

O Quilombo do Piolho, ou do Quariteré, era constituído por africanos e populações mistas, compostas por índios e caborés, fugidos das Novas Minas das lavras de Mato Grosso, escravizados rebelados. O reduto abrigava uma população de quase trezentas pessoas governadas por José Piolho, até a sua morte, sendo substituído por sua mulher Tereza, conhecida como “Rainha Tereza”.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho (…). Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo” (Anal de Vila Bela do ano de 1770).

Após ser capturada em 1770, o documento afirma:

“em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem”.

Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777 foi novamente atacado pelo exército, sendo extinto em 1795.

No dia 25 de julho, celebra-se uma conquista dos movimentos negros e de mulheres negras brasileiras, onde pela primeira vez, em 2014 foi comemorado o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei 12.987, sancionada no dia 2 de junho deste ano. Até a sanção da lei, o Brasil era o único país da América Latina que não comemorava oficialmente, em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. O nome é segundo a ex-senadora e autora do texto, Serys Slhessarenko, uma forma de criar um ícone para as mulheres negras do país.

O dia da Mulher Negra, quilombola, Latino – Americana fica ao povo brasileiro como herança e reconhecimento de exemplos como o de Tereza de Benguela, e tantas outras mulheres negras e camponesas, que lutaram e lutam ainda hoje contra o racismo e o machismo, e são essenciais no combate ao preconceito, à discriminação, à desigualdade e à violência, em prol da construção de uma sociedade mais justa.

Teresa de Benguela vive em todas nós, na nossa história, nas nossas memórias, nas nossas lutas, mas sobretudo, no combate à invisibilidade e as violências que estas mulheres, jovens e meninas, sofrem todos os dias.

Somos mulheres, negras e quilombolas e exigimos nossos direitos respeitados, bem como o registro de nossa história, na história brasileira

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