Dia Nacional de Tereza de Benguela e Dia internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha

O Dia da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana. Estipulou-se que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe.

O objetivo da comemoração é ampliar e fortalecer às organizações de mulheres negras e construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais.

Apesar de corresponder a 53% dos brasileiros, segundo dados do IBGE, a população negra ainda luta para eliminar desigualdades e discriminações. São cerca de 97 milhões de pessoas e, mesmo sendo a maioria, está sub-representada no Legislativo, Executivo, Judiciário, na mídia e em outras esferas. Em se tratando do gênero, o abismo é ainda maior.

Esta realidade, que manifesta resquícios do período de escravização, tem sido transformada através da luta e da organização das mulheres negras na América Latina e no Caribe. Apesar de ainda em desvantagem, mais mulheres e, mais mulheres negras estão se inserindo na universidade e no mercado de trabalho, estão conquistando espaços importantes na economia, na sociedade, na política. Essas mulheres estão lutando para transformar a realidade, superar as desigualdades e construir uma nova cultura na sociedade, de combate à opressão de gênero e ao racismo.

Apesar de a data internacional ser de 1992, somente em 2014, no governo da Presidenta Dilma Rousseff, através da Lei 12.987/2014, passamos a comemorar O Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.

Tereza de Benguela foi uma líder quilombola que viveu durante o século 18. Com a morte do companheiro, Tereza se tornou a rainha do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravização por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho. Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777 foi novamente atacado pelo exército, sendo extinto em 1795.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho (…). Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo” (Anal de Vila Bela do ano de 1770).

Esta data, 25 de julho, fica ao povo brasileiro como herança e reconhecimento de exemplos como o de Tereza de Benguela, e tantas outras mulheres negras e camponesas, que lutaram e lutam ainda hoje contra o racismo e o machismo. Essas mulheres foram e são essenciais no combate ao preconceito, à discriminação, à desigualdade e à violência, em prol da construção de uma sociedade mais justa.

Teresa de Benguela vive em todas nós, na nossa história, nas nossas memórias, nas nossas lutas, mas, sobretudo, no combate à invisibilidade e as violências que estas mulheres sofrem todos os dias.

Somos mulheres, negras e quilombolas e exigimos nossos direitos respeitados, bem como o registro de nossa história, na história brasileira

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