128 anos após a abolição, Brasil volta para as mãos dos homens brancos

Dia 13 de maio de 1888 é o dia que a Princesa Isabel aboliu a escravização de negros e negras
no Brasil através da Lei Áurea. Não por generosidade ou por cristandade, a abolição se deu tanto pela resistência dos negros e negras como também pela pressão da Europa que necessitava ampliar o mercado consumidor.

Ao fim da escravização no Brasil, os abolicionistas não tiveramlei-aurea-abolicao-e1431541765286 a preocupação de garantir aos negros e negras meios para sua sobrevivência. Não tinham garantidos direitos a saúde ou educação, e nem mesmo a posse da terra para sua residência. Os negros, que até então não tinham outro trabalho a não ser o braçal se viram sem labor ou onde morar, considerando que não poderia mais permanecer nas terras do seu antigo senhor e muitos não tinham condições de se deslocar para os afastados quilombos.

A transformação do trabalho dos negros de escravizado para assalariado se deu de forma paulatina e nas piores colocações. A qualificação era imprescindível no regime capitalista e, justamente por apresentar mais procura do que oferta, o mercado de trabalho era seletivo, estando os negros em último lugar na ordem de preferência.

Infelizmente, o passado escravista registrou no inconsciente coletivo a absurda noção da inferioridade do negro. Isto atingiu também muitos negros, que se sentem inferiores em relação à sua condição, chegando a negar a sua própria cor, valorizando a cultura branca como padrão ideal.

Por causa das razões históricas, os negros continuam sendo um dos setores mais pobres e sofridos da sociedade brasileira. Deles foi tirada a liberdade, dificultada a conservação de sua cultura e memória e, até hoje, não foi restituída efetivamente a condição da plena cidadania.

Nos últimos 13 anos no Brasil a população negra conseguiu avançar na busca por igualdade de direitos. A criação da secretaria de políticas de promoção da igualdade racial em 2003, trouxe o Estatuto da Igualdade Racial, o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, dentre outras iniciativas, que trouxeram avanços nessa área.

Segundo dados do IPEA, que tomou como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) lançadas pelo IBGE entre os anos de 1993 e 2006, em 1996, 82,3% dos negros estavam matriculados em etapas do ensino fundamental adequadas à sua idade e apenas 13,4% no ensino médio. Em 2006, essa porcentagem subiu para 94,2% no ensino fundamental e 37,4% no médio. A proporção de negros e negras que estudavam no ensino médio, entretanto, ainda é muito menor que a de brancos – que chegou a 58,4% em 2006.
A renda média do trabalhador negro também cresceu, embora o aumento não seja muito expressivo: o rendimento médio de 2006 foi R$ 19 mais alto que em 1996, ou 3,93%. A queda da diferença entre os dois grupos se deu devido a diminuição dos rendimentos dos homens brancos, que passaram de R$ 1.044,20 a R$ 986,50. Os demais grupos estudados (mulheres brancas e negras e homens negros) tiveram aumentos.

Mesmo com essa alta, a discrepância é grande. Os brancos ainda vivem com quase o dobro da renda mensal per capita dos negros – pouco mais de um salário mínimo a mais.

Em relação ao ensino superior, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004, 16,7% dos alunos que estavam em uma faculdade eram pretos ou pardos; em 2014, esse percentual saltou para 45,5%.

Em 2014, a FAO informou que o Brasil saiu do mapa da fome. Sabemos que a maior parte da população vítima da fome eram os negros e negras. Essa mudança foi resultado de uma política econômica que criou 21 milhões de empregos, valorizou o salário mínimo, aumentando em 71% seu poder de compra nos últimos 12 anos. De acordo com o Mapa da Fome, o Brasil reduziu em 82% a população considerada em situação de subalimentação entre 2002 e 2013. O País foi citado como caso de sucesso no esforço mundial pela redução da fome. Segundo a entidade, somente 1,7% da população brasileira (3,4 milhões de pessoas) permanece em situação de insegurança alimentar. O índice abaixo dos 5% aponta o fim da fome estrutural no País.

É certo que o segundo mandato do governo Dilma foi repleto de erros na tentativa de acalmar o mercado. Porém não podemos negar que os movimentos sociais tem muito mais chances de serem recebidos e ouvidos – como foi na Marcha das Margaridas e na Marcha das Mulheres Negras – do que neste governo Golpista.

Não reconhecemos este golpista em exercício (Temer). Portanto não reivindicaremos nada, nem presença de mulheres, nem presença de negros e negras. Golpistas não nos representam. Nossa luta é pelo restabelecimento da democracia e recondução de Dilma ao governo.

O Ministério de Homens Brancos, Ricos e Velhos mostra logo quem estará na linha de frente na perda de direitos: mulheres, negros e negras, pobres e juventude.

Nós negros e negras, não aceitaremos voltar para a senzala, nós mulheres não aceitaremos o papel de “bela, recatada e do lar”, a juventude não aceitará o discurso de que a política é para os ‘experientes’ e que seu lugar é quietinho escutando atento para aprender, os LGBTs não voltarão para o armário, quem saiu da linha da pobreza não aceitará passar fome novamente.

128 anos após a abolição Brasil volta para as mãos dos homens brancos…

A palavra de ordem é “LUTAR SEMPRE, TEMER JAMAIS’

lutarsempretemerjamais

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