Machismo, uma das máscaras dos golpistas

Em nosso país ainda temos uma forte cultura machista que diferencia o comportamento ideal de uma mulher e de um homem. A mulher “normal” deve ser dócil, amável, falar baixo e ser vaidosa. O homem deve ser forte, ocupar espaços de decisão, responder pela família e pelas finanças. Quem foge desses padrões é lembrado cruelmente que está fora do seu lugar social.

Na contramão da hegemonia, os movimento feministas vem buscando empoderar mulheres em todos os espaços, seja nos partidos, nos movimentos sociais, nas associações, nas escolas ou nas praças. Em resposta a este trabalho de militância cada vez mais as mulheres tem ganhado voz ativa nas organizações.

Na política temos visto o crescimento da participação feminina. Na câmara federal por exemplo, as mulheres eram, em 2010, 8,8% dos 513 deputados (45 eleitas). Em outubro de 2014 foram eleitas 51 candidatas, ou 9,9%. O crescimento foi pequeno, muito pequeno, mas estamos caminhando.

Porém como afirmei anteriormente, o espaço público é socialmente entendido como lugar de homens. Quem tenta mudar a ordem estabelecida é rapidamente lembrado do seu lugar, ainda mais em um país fortemente patriarcal. Quando as mulheres buscam espaços de poder, os homens que lá estão logo apontam as ‘fragilidades” que uma mulher traz e como pode desacreditar o espaço.

As mulheres que alcançam a legitimidade popular para ser representante em cargos eletivos tem uma trajetória repleta de desafios. Já na campanha enfrentam dificuldades e desigualdade pelo gênero. Quando a opção política da mulher é pela esquerda a luta é ainda maior.

Suas posições são descontruídas por características impostas as mulheres que elas por óbvio não seguem, e por não seguirem são consideradas loucas, histéricas, destemperadas e mal amadas. Homens quando se exaltam no debates estão sendo contundentes. Mulheres quando se exaltam estão revelando o desequilíbrio emocional comum ao gênero e muitas vezes tem a sua sexualidade questionada.

Escrevo este texto depois de assistir e ler uma enormidade de entrevistas que discorriam sobre como em seus discursos, a Presidenta Dilma mostra que está desesperada e desequilibrada dando sinais claros que não pode mais exercer seu cargo. Li artigos questionando a sexualidade da Presidenta, a necessidade de ela ter um parceiro e de como a não ter um companheiro pode afetar sua atuação política.

Quando a primeira reação sobre o discurso político de uma mulher é chama-la de louca ou mal amada, percebemos um ato de extrema covardia política, machismo mesmo. Tenta-se desqualificar a pessoa simplesmente por ser mulher e não ser meiga, doce ou submissa. Os argumentos políticos que ela utilizou em sua fala pouco importa. O que realmente interessa é criar uma onda de descrédito a imagem pessoal da Presidenta e alimentar o ódio.

Tenho diversas críticas à condução do governo e, por óbvio, tenho críticas ainda maiores aos partidos de direita. Porém tanto pra um lado, como para o outro, as divergências são travadas no campo da política. Considero a desqualificação pessoal – isto sim – como atitude desesperada quando não há mais argumento para sustentar a própria posição.

Fico indignada ao ver representantes do povo utilizando táticas misóginas para manter sua postura de defesa do golpe. Nos falem a verdade. Digam que em negociação com os golpistas seu partido terá mais espaço no governo do que no governo PTista. Digam que mesmo sabendo que não há crime de responsabilidade, o partido de vocês entende que não há mais possibilidade de conciliação de classes, principalmente em tempo de crise econômica. Digam que é de interesse da direita que as investigações de corrupção acabem. Digam que querem voltar aos tempos que assassinar sem-terra ou sindicalista nem sequer era notícia dos jornais, por tanto nem inventar incêndios florestais era preciso. Mas parem, simplesmente parem com a covardia de dizer que a Presidenta Dilma não pode governar por instabilidade emocional ou falta de equilíbrio psicológico.

Quando uma mulher é atacada pelo espaço que ocupa, somente por ser mulher, todas nós estamos sendo atacadas. O recado subjetivo é que somos consideradas incapaz de sair do papel de esposa e mãe para assumirmos espaços públicos de poder. Porém no caso da Presidenta Dilma, o machismo está sendo usado como máscara para esconder a podridão das negocições rasteiras de quem acredita que apoiar o golpe pode favorecer os ganhos do seu partido.

Sigamos na defesa da democracia, empoderando mulheres, na luta contra o machismo e buscando honestidade na política

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