Dia do Orgulho Hetero ou Legitimaçãoda Homofobia?

Ter orgulho de sua orientação sexual é libertador e todas e todos devem ter esse direito político e reconhecimento social. Porém este “orgulho” não pode ser utilizado como subterfúgio para subjugar quem tem a orientação sexual diferente da sua. A campanha do Dia do Orgulho Heterossexual, desde sua criação e principalmente nas redes sociais, tem forte teor machista e homofóbico.

O projeto de lei que cria o Dia do Orgulho Heterossexual, com a proposta de ser comemorado no 3º domingo de dezembro é de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O projeto foi apresentado em 2011 e na justificativa da proposição, Eduardo Cunha afirmou que “a presente proposta visa a resguardar direitos e garantias aos heterossexuais de se manifestarem, e terem a prerrogativa de se orgulharem do mesmo e não serem discriminados por isso”. Em outro trecho da justificativa, o peemedebista afirma que “no momento em que se discute preconceito contra homossexuais, acabam criando outro tipo de discriminação contra os heterossexuais e, além disso, o estímulo da” ideologia gay “supera todo e qualquer combate ao preconceito”.

A justificativa da proposição mostra um pano de fundo altamente preocupante. Pode-se entender que a intenção é permitir que o heterossexual possa manifestar a defesa de sua opção sexual inclusive em detrimento de outras opções “sem ser discriminado por isso”. Caso a fala seja homofóbica ela pode ser reinterpretada como orgulho hetero. Veja bem o perigo. É uma forma avessa de legitimar a homofobia.

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Esta imagem coloca a mulher como mercadoria e inferioriza seu papel dentro de uma relação afetiva. O gosto por mulher é comparado ao gosto por cerveja e por churrasco, ou seja, objeto de consumo para satisfação pessoal do homem. A Seguinte afirma que ser hétero é ser divertido, legal e popular. De forma implícita defende a rejeição social Aos homossexuais. E a tônica da campanha tem sido essa. Não defende a opção pela heterossexualidade e sim tem se mostrado defensora do machismo e da legitimação da homofobia.

Esse debate traz a reflexão da disputa política das redes sociais. Os movimentos populares também precisam ocupar este espaço, não somente divulgando notícias de seus sites, que são de grande importância na formulação de opinião com conteúdo, mas dialogando com um novo público que utiliza a rede para informação rápida e compartilhamento. Neste sentido a política conservadora está bem adiantada.

Além do caráter heteronormativo, da defesa da família tradicional, do forte viés racista, da contrariedade do empoderamento feminino e da legitimação da homofobia a atuação da direita no compartilhamento de informação nas redes sociais se destaca pela covardia do anonimato. Seguimos no sentido oposto. Nossas postagens são e devem sempre ser muito bem identificadas através de nossas entidades e movimentos ou até mesmo individualmente. Isso permite inclusive que quem quiser buscar mais informações de determinado tema saiba onde buscar.

Vale lembrar que os heterossexuais não são alvo de preconceitos, e sim suas posições discriminatórias. Eduardo Cunha, Jair Bolsonaro e Marco Feliciano sofrem rejeição popular não por serem Heterossexuais mas sim por serem misóginos, homofóbicos, fundamentalistas e terem posicionamentos racistas. Ao contrário, são os/as LGBTTs que militam em defesa da criminalização da homofobia. Enquanto uns querem reafirmar seus privilégios outros lutam para não serem mortos.

Este tipo de legislação comprova a necessidade de uma reforma política. Enquanto mantivermos um congresso conservador que é eleito através do investimento do capital em suas campanhas milionárias, que representam uma minoria burguesa, as leis de direitos humanos serão sempre escanteadas pela defesa do capital.

A meta, o horizonte utópico, é a superação do sistema capitalista, que se alicerça no patriarcado e no racismo. Este sistema além de explorar a classe trabalhadora como um todo, defende a inferiorização de grupos sociais para poder explorar estes ainda um pouco mais do que outros. Somente com outro projeto de sociedade, num novo mundo possível, em uma sociedade socialista, conseguiremos que o dia de orgulho seja do orgulho dos direitos humanos, e que a orientação sexual de cada um defina suas relações afetivas e não seu acesso a direitos

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