COMPLEXO DE ZAQUEU

Àqueles que não conhecem, Zaqueu é um personagem bíblico cuja história é narrada no décimo nono capítulo do livro de Lucas (Lc 19.1-10). Em resumo, sua história é a seguinte: Zaqueu era um homem odiado pela população (por ser chefe dos cobradores de impostos, supostamente corrupto) e ficou sabendo que Jesus iria passar por sua cidade. Zaqueu, então, deciciu que queria ver aquele homem de quem todos falavam. Contudo, ao ser impedido de ver Jesus pela multidão que não deixava ele se aproximar, Zaqueu, homem de pouca estatura, correu à frente pelo caminho onde Jesus passaria, subiu em uma árvore e ficou esperando que ele passasse por ali. Para sua surpresa, e mais ainda da população, ao chegar no pé da árvore onde ele estava Jesus pediu para que descesse e anunciou que iria jantar em sua casa. O estrondo da multidão foi grande ao esbravejar contra o absurdo que julgavam ser seu grande mestre comungar com um sujeito de tão má reputação. Então Zaqueu anuncia que se arrepende dos equívocos que porventura cometera e que doravante se portaria como um homem íntegro. E Jesus completa dizendo que naquela noite houvera salvação naquela casa.
Mas por que estou contanto essa história? Para poder falar de um de seus personagens que mais me intriga. A multidão que seguia Jesus. Neste episódio a multidão tem dois comportamentos: primeiro o de não deixar Zaqueu se aproximar de Jesus e segundo o de se mostrar claramente descontente com a atitude de Jesus. A primeira atitude se baseia na crença que aqueles que compõem a multidão tem de que, por estarem próximos e serem os seguidores do mestre, tem o direito de seletivamente decidir quem pode se aproximar de Jesus (e quem não pode). Isso ocorre devido a uma falsa persepção daqueles que se julgam dignos em relação àqueles a quem consideram indignos. Jesus passou todo seu ministério combatendo a acepção de pessoas, mas parece que seus seguidores nunca entenderam bem essa parte. A segunda atitude, e essa pra mim é a mais intrigante, é a chiadeira da multidão em desaprovação ao ato de Cristo. Ao criticar Jesus, a multidão se coloca no papel de autoridade que se considera competente para julgar as ações do Filho de Deus. É sério mesmo que um seguidor de Jesus possa acreditar ser capaz de julgar, e por vezes repreender, as ações de Cristo?
Infelizmente observo que muitos cristãos atualmente, principalmente os de matrizes neopentecostais, se comportam como aquela multidão, impondo o estigma social de Zaqueu à diversos setores de nossa sociedade. Chamo esse fenômeno de Complexo de Zaqueu. Ainda hoje muitos dos ditos seguidores de Cristo pouco tem compreendido de sua mensagem. Jesus diz “não julgue” e essa multidão se apressa em julgar. Jesus diz “não apedreje” e lá vai o povo apedrejar. Jesus diz para “amar uns aos outros” e seus seguidores pensam “ok, mas só os que pensam como eu”. E assim segue a multidão tentando conformar os indivíduos à sua maneira de enxergar o mundo (e à sua doutrina cristã), repelindo (e afastando de Cristo) quem não se conforma e reclamando da graça divina derramada sobre os “indignos”. Se Deus não habita templos de pedra, tampouco se encontra na multidão de seus “dignos” seguidores.
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