ENEM e o debate de gênero


No   ENEM 2015 – Exame Nacional de Ensino Médio – ao todo, 5.810.948 candidatos fizeram ao menos uma das provas e tiveram que refletir sobre a luta do movimento feminista. Nos dois dias de prova o tema foi abordado. No primeiro dia com a seguinte questão sobre a citação de Simone de Beauvoir:

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”
BEAUVOIR, 5 O segundo sexo Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1980.
Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um movimento social que teve como marca o(a)
A) ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.
B) pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho.
C) organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.
D) oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos.
E) estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.

Na redação, o tema foi  “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.  Os dados trazidos após a divulgação do resultado trazem várias informações importantes para reflexão. Muito foi dito sobre os 104 candidatos que obtiveram nota mil na redação (nota máxima) e sobre as 55 candidatas que relataram situações de violência que viveram ou que presenciaram. Mas o que me chamou a atenção foram os 53 mil candidatos que tiraram nota zero.

A lógica do Enem não é avaliar se o participante adquiriu uma série de conceitos que
fizeram dele um erudito. A prova quer avaliar a cidadania do candidato. O debate da luta contra a violência as mulheres não é uma pauta exclusiva da esquerda feminista como alguns insistem em dizer, é um tema de Direitos Humanos. E o Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

competencias-enem

A temática proposta é uma afirmação. A redação deveria abordar os motivos da persistência da violência conta a mulher e preferencialmente alternativas para reduzir, tal situação. Fico pensando quantas redações foram anuladas por estar em branco e, o mais grave, por desrespeitar os direitos humanos. É um cenário preocupante.

Acho importante relembrar a dificuldade enfrentada na aprovação nos Planos de Educação sobre a abordagem de gênero nas escolas. A resistência em tratar deste assunto está expressa no resultado do ENEM 2015, 53 mil redações zeradas. Espero que este resultado faça com que alguns grupos políticos entendam a importância do tema. Afinal debater gênero não é somente discutir orientação sexual – é também – mas passa principalmente pela pauta de defesa de direitos humanos

Anúncios

Qual sua opinião sobre este assunto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s