Seu marido ajuda em casa?

Sabe aquela pergunta que te dá três tipos de arrepios, é essa. Se ele ajuda é por que a tarefa não é dele, é minha. O conceito que essa pergunta traz é a naturalização da mulher como a única responsável pelas tarefas doméstica. Interessante que as pessoas que fazem essa pergunta acham que estão sendo progressistas por aceitar a ideia de o homem colaborar em casa.

Vou falar um pouco da minha vida.

Quando decidimos que iríamos compartilhar nossas vidas juntos, eu e meu companheiro estudávamos, trabalhávamos e militávamos. Tendo igual atividade externa, as atividades da casa seriam também igualmente divididas para não gerar sobrecarga a nenhum dos dois. Discutimos como cada um colaboraria e pusemos em prática. É claro que tudo foi se adaptando, algumas tarefas foram trocadas, mas o principio está mantido.

A casa é nossa. Todos devemos colaborar para sua manutenção. Não há mais ou menos responsável pela organização ou uma divisão social do trabalho baseado no sexo biológico. Cada um faz aquilo que sabe fazer melhor ou o que o outro detesta.

O casamento é soma de duas vidas para compartilhar entre si amor, felicidade, conquistas e as dificuldades. Não é – ou pelo menos não deveria ser – uma relação de dominação de um sobre o outro. Não casei para ter mais um trabalho, o doméstico, pelo contrário, estou satisfeita com minha carreira profissional. O cuidado com o lar é reflexo do cuidado que temos um com o outro.

Incrível como essa conversa sempre tem o mesmo rumo. Minha resposta a essa pergunta é “não ele não me ajuda, nós dividimos igualmente as tarefas”. Sempre há um “nossa que bacana”, com um tom de espanto. Quando retorno a pergunta não repito para não manter o machismo impregnado, sempre digo “e na tua casa, como vocês se organizam?” Geralmente o que escuto é “ele ajuda lavando a louça e de vez em quando ele cozinha. Homem quando quer fazer faz melhor que a gente.” Como assim? Quer dizer que você faz mal feito todo dia, ele quando resolve fazer, faz melhor? Aff…

Mas isso não é o pior. Pra mim o pior é quando a conversa vira para as questões financeiras e as mulheres acham que estão na vantagem porque os companheiros pagam as contas. Elas ficam com as menores despesas e podem gastar sua renda em salão e roupas. Ele tem o controle financeiro da casa, ela das tarefas domésticas e de manter-se bonita, como isso pode ser justo?

Vejo esta situação como forma do homem pagar o serviço doméstico prestado. A mulher cuida da casa e dos filhos e pode usar seu salário para manter-se bonita para o homem. Ele paga as maiores despesas e não quer ser incomodado quando estiver em casa.

Quando eu digo que nossa conta bancária é conjunta, que a maior parte dos gastos está no débito automático e o que sobra de dinheiro nós decidimos juntos o que fazer, parece que estou ofendendo o universo.

Sei que a maneira como meu companheiro e eu nos organizamos pode não ser a melhor maneira, mas dá certo para nós. O que acredito é que essa lógica de “trabalhe fora”- por que é bonito mulher ter vida profissional nos dias de hoje, “trabalhe em casa”- por que isso é dever da mulher, “fique linda”- para permanecer ao lado do marido, “não se preocupe que as contas que eu (homem) pago”, essa com certeza é a pior forma de organização familiar.

Abaixo a imagem da mulher virtuosa que da conta de tudo: casa, trabalho, filhos, tranquila, magra, maquiada e linda…

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Eu prefiro a imagem de uma mulher real, uma mulher que luta

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