Vamos às ruas por um projeto feminista e popular para o Brasil!

Se 2014 foi difícil, esse final de 2015 está provando que tudo pode piorar. Para além de todo o retrocesso envolvendo direitos trabalhistas, maioridade penal etc, vimos ser aprovado o estatuto da família, e o corte de dois ministérios – a Secretaria de Políticas para as Mulheres, SPM, e a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, SEPIR.

Estamos vivendo um momento de crise econômica. Nessas horas, diferente do que em momentos de prosperidade, a burguesia mostra seu lado mais reacionário, propondo medidas para manter seu lucro, ainda que em crise. Essas medidas são ataques aos direitos da classe trabalhadora, o avanço sobre os territórios (o que também resulta em mais guerras), o aprofundamento do racismo (expresso no acelerar do genocídio dos povos negro e indígena) e do patriarcado (mercantilização do corpo e vida das mulheres e meninas, controle da função reprodutiva das mulheres) entre outras coisas. Para isso, as elites precisam de um governo que seja seu. Um governo neoliberal “puro sangue”. Não lhes interessa mais um governo de “conciliação de classes”.

É a partir daí que precisamos analisar a situação atual: ao mesmo tempo em que a direita força para aprovar os ataques ao povo brasileiro, força para a queda de um governo que já não lhe interessa mais.

O governo, neste momento, colhe os frutos de sua política de conciliação: não fez reformas estruturais, e não investiu na organização popular. Para manter-se no poder, em vez de apostar na construção de uma forte base social, apoiou-se (e, numa política suicida, ainda se apoia) numa governabilidade absurda, que somente o fez recuar cada vez mais, e cada vez mais assumir a agenda política que perdeu nas urnas em 2014.

Muitos pensam que esse é um problema do PT, então ele que se lasque, mas se enganam: o governo federal e o PT são somente a ponta do iceberg. Junto com o governo, vão as políticas sociais e, depois, as outras organizações de esquerda, incluindo aí os movimentos sociais. O governo está sendo atacado pela direita não por seus defeitos, mas por seus acertos, e tudo que é política que promova a igualdade está sob ataque. Não à toa os primeiros ministérios a caírem são os que tratam de gênero e raça. Essas secretarias praticamente não tem gastos (de ministério é só o status mesmo), mas, para o capital, mulheres e negros/as fortalecidos/as, têm.

Acho que o mais recente exemplo de como isso não é um problema só do PT foi a agressão sofrida por João Pedro Stédile, da Direção Nacional do MST: para além de relacioná-lo com o PT, chamavam-no de “terrorista”, “comunista”. As ofensivas conservadoras “contra o PT” não são, portanto, somente um ataque ao PT, mas fazem parte de um processo de criminalização das nossas idéias e de todos/as aqueles/as que lutam por um Brasil justo e soberano.

Isso não significa, em absoluto, defender esse governo e fechar os olhos para o rumo que está tomando. Nosso lado é o da classe trabalhadora, e por isso devemos ser firmemente contra essa política econômica. Mas não podemos compactuar com a quebra da legalidade do mandato da presidenta Dilma. Isso também faz parte do projeto da direita, junto com todos os outros retrocessos que estamos presenciando.

Nesse sentido, é importante que apontemos saídas unitárias. Temos que ir pra rua, mas não iremos sozinhas: vamos com todos e todas que estejam dispostos a construir um outro projeto de país. Pra além de resistirmos aos ataques, é preciso que apontemos para onde queremos ir. Por isso, construções como a Campanha da Constituinte e a recém-formada Frente Brasil Popular são importantes, pois apontam a construção de uma unidade mais profunda entre os movimentos populares.

O dia 16 de dezembro será mais um momento de irmos para as ruas, em defesa da democracia, contra a privatização da Petrobrás e em defesa de outra política econômica. Nós, mulheres, não pagaremos pela crise que os ricos criaram. Dizemos não ao ajuste fiscal e ao corte de ministérios, e dizemos sim a um projeto de soberania nacional, de autonomia para as mulheres e liberdade para o povo brasileiro! Iremos às ruas por um projeto feminista e popular para o Brasil!

Texto de Maria Júlia (adaptado) – militante da Marcha Mundial das Mulheres de São Paulo.

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