Sororidade com a Ministra Katia Abreu

sororidadeQuando soube da ofensa machista sofrida pela Katia Abreu cometida pelo José Serra, e a consequente reação da Ministra confesso que me senti representada. Pena não ter respingado nos machistas do entorno.

Para quem não conhece o caso, no dia 09/12 houve um jantar de confraternização de senadores da base e oposição na casa do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE). Numa roda, o senador Ronaldo Caiado, que é médico, contava de um episódio em que teve de aplicar uma injeção na ministra. José Serra num ato machista fez a seguinte colocação:

— O que tenho ouvido é que você tem fama de ser muito namoradeira — brincou Serra.

— Me respeite que sou uma mulher casada e mesmo quando solteira, ao contrário de você, nunca traí — e arremessou um copo de vinho no senador tucano.

— Você é um homem deselegante,  descortês, arrogante e prepotente. É por isso que você nunca chegará a presidência da república. Nunca lhe dei esse direito nem essa ousadia. Por favor, saia dessa roda, saia daqui imediatamente.

Apesar das divergências políticas com a Kátia Abreu – que por sinal são muitas – quando falamos de violência contra as mulheres, neste caso violência verbal, todas nos unimos contra a misoginia. A Ministra em seu twitter citou que todas sabem o eufemismo para o termo “namoradeira”. Sabemos sim. A resposta foi sim a altura.

A política ainda é um espaço hegemonizado pelos homens e mais que isso, pelos homens brancos, de meia-idade, conservadores e em boa parte fundamentalistas. A deputada Maria do Rosário também se posicionou fortemente quando foi atacada pelo Bolsonaro. Não nos calaremos diante das violências de gênero.

Não posso negar que tenho restrição com alguns termos usado pela Ministra em sua defesa. “Mulher honrada” traz algumas reflexões sobre a autonomia da mulher sobre seu corpo. Qual mulher tem honra e qual não? Eu discordo dessa categorização das mulheres entre corretas/direitas e não corretas. Somos todas mulheres e cada qual tem direito de conduzir sua vida afetivo-sexual como quiser, sem escalas de moralidade. O que tenho acordo com ela é de que nenhum homem tem o direito de fazer piadas ou insinuações sobre a vida amoroso-sexual das mulheres para divertir à outros. Como se tivessem algum direito sobre nossas ações, sobre nossas vidas.

Esse fato ocorrido com a Kátia me fez querer escrever sobre a SORORIDADE. De forma breve sororidade significa a aliança feminista entre mulheres. A palavra é análoga a fraternidade. Ambas as palavras vem do latim, sendo sóror irmãs e frater irmãos. Mas, na nossa linguagem usual, ficamos apenas com a versão masculina do termo, afinal de contas, a sociedade patriarcal nos ensina que relações harmoniosas somente são possíveis de se concretizarem entre homens.

Sororidade é a construção de alianças políticas entre mulheres, para contribuir com a eliminação de todas as formas de opressão e ao apoio mútuo para alcançar o empoderamento de cada mulher. É a contramão do pensamento de que mulheres são inimigas, falsas entre si e competidoras.

O interesse em nos afastar, em desarticular a luta feminista, é do capital, é do patriarcado. Pratiquemos nós a sororidade.

Por isso, apesar das divergências políticas com a Ministra Kátia Abreu, estamos juntas  na luta contra o machismo

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