Eu Só Quero É Ser Feliz

 Em homenagem aos jovens negros assassinados pela polícia do Rio de janeiro, fuzilados com mais de 50 tiros, relembro a letra tão atual do Rap da Felicidade. A música tem 15 anos. Falava do extermínio da juventude negra e pobre. Pouco mudou infelizmente…

Roberto de Souza Penha, de 16 anos,  Wesley Castro, de 25, Wilton Esteves Domingos Junior, de 20; Cleiton Corrêa de Souza, de 18, Carlos Eduardo da Silva Souza, de 16. PRESENTE!

RAP DA FELICIDADE – Cidinho e Doca

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço a autoridade um pouco mais de competência.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.

Diversão hoje em dia, não podemos nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.

Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.
Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, vive passando sufoco.
Trocaram a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar

genocidio-juventude-negra

 

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