Eduardo Cunha e o Impeachment

O Deputado volta a cena (na verdade creio que nunca saiu) por ser reiteradas vezes citado nas investigações da Lava-Jato. A Procuradoria Geral da República denunciou o Deputado por suspeita de corrupção, com a acusação de receber US$ 5 milhões em propina por fornecedores da Petrobrás. O Ministério Público, endossando a denuncia, informou que encontrou quatro contas na Suíça administradas por Eduardo Cunha e seus parentes.

Não vou aqui discutir a Operação Lava-Jato. Sigo acompanhando. O assunto da vez é o Eduardo Cunha.

Como o Deputado é dado a reviravoltas políticas através de manobras quase sempre duvidosas, há “suspeitas” que para tirar o foco das denuncias que recaem sobre si, ele dê seguimento aos pedidos de Impeachment da Presidenta.

Cabe ao Presidente da Câmara avaliar os pedidos e decidir se dá ou não seguimento ao processo. No total foram 19 pedidos dentre os quais 11 já foram analisados e negados. O mais conhecido, ainda não avaliado, é do jurista Hélio Bicudo e do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Junior.

A desconfiança (geral) é que este pedido também seja negado, e que a oposição recorra e o pedido vá para análise dos deputados. Um grande teatro. Um jogo de cena muito bem ensaiado para não comprometer diretamente Cunha. Uma cortina de fumaça para encobrir as denuncias de corrupção que o envolve.

Para quem não conhece o histórico de Eduardo Cunha, não é de agora que suas opções políticas são consideradas no mínimo questionáveis. Começou na política no PRN, partido de Collor e PC Farias, e por sua atuação na tesouraria do Comitê de Campanha do Rio de Janeiro ganhou o cargo de presidente da Telerj. Já em seu primeiro cargo Público, teve denuncias  por irregularidades em contratos públicos e licitações. Além disso foi um dos investigados no “Esquema PC”, e foi afastado da Telerj em 93.

Em 1994, se filia ao PPB, hoje PP e se torna presidente da Companhia Estadual de Habitação na gestão de Anthony Garotinho. Fica no cargo por seis meses, e adivinha… é afastado por denúncias de contratos sem licitação e favorecimento de empresas inexistentes.

Em 2001 assume, por meio de uma articulação de Garotinho, como deputado estadual no Rio de Janeiro, o que dificulta as investigações contra ele. Em 2002, é eleito deputado federal. Em 2003, troca o PP pelo PMDB. É reeleito em 2006 e 2010.

Torna-se evangélico e fica famoso com esse público por ser locutor em uma rádio popular neste meio. Com essa influência, em 2014 foi o terceiro candidato deputado federal mais votado, com 232.708 votos, o que equivale a  3% de todo o eleitorado fluminense . Outra parte da explicação é o fato de ser um dos políticos com maior capacidade de arrecadação para campanhas. Não sei explicar isso. Alguém sabe me explicar por que será que as empresas doam tanto para o Eduardo Cunha? Será que ele se compromete com as pautas de seus financiadores, como por exemplo sendo favorável ao projeto de terceirização? Será?

Enquanto não realizamos uma real Reforma do Sistema Político através de uma Constituinte Exclusiva e Soberana, esta característica de arrecadador garante a Cunha a fidelidade dos deputados eleitos, tanto pelas ajudas financeiras em suas campanhas como pelo cálculo do quociente eleitoral.

Dessa forma Cunha segue escrevendo sua trajetória. Com manobras, com denuncias, com polêmicas, porém com grande apoio do conservadorismo. Defendendo os interesses da burguesia, impôs através da Presidência da Câmara, a pauta dos neoliberais. Defendeu a terceirização, combatida pelas organizações sindicais como sinônimo de precarização e retirada de direitos; o financiamento empresarial de campanha, contrariando os anseios das organizações da sociedade civil que defendem uma reforma política que garanta a diminuição da influência do poder econômico e a redução da maioridade penal, que legou a Cunha o título de inimigo número um da juventude brasileira.

Por onde passa a figura de Eduardo Cunha fica um rastro de denuncias de corrupção, de fundamentalismo religioso e misoginia. Defende em seu mandato a pauta da elite neoliberal e mantém distância (física e política) dos trabalhadores. Esvaziar as galerias da Câmara, quase sempre com violência, é de sua prática habitual. O impressionante é a habilidade que possui de apesar das atitudes antipopular, vender a imagem de homem de Deus, paladino da moralidade e da ética.

Não se engane, Eduardo Cunha não irá encaminhar o pedido de Impeachment por acreditar nele, e sim para tentar blindar as denuncias de corrupção que vem sofrendo, alias sempre presentes em sua história. Uma artimanha medíocre para salvar a própria pele. Ainda que custe um golpe à democracia.

Conhece o dito popular “Pau que nasce torto nunca se endireita”? No caso do Eduardo Cunha a inclinação é à direta

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