Turbantes

Não se sabe exatamente a origem do turbante, pode ter surgido no Oriente ou na África. Sabemos que os significados eram/são muitos: indicam a origem, tribo ou casta da pessoa, identificar a religião (como o Ojá africano) ou a posição social.

É sabido que existia antes do ano 570DC, ou seja, antes do
nascimento de Maomé e da fé islâmica. E nela o turbante tem uma função religiosa importante. É um símbolo material que reforça a consciência espiritual, uma fronteira entre a fé e a descrença. Uma vez que é na cabeça que as decisões entre bem e mal, certo e errado, verdadeiro e o falso ocorrem é ela que sustenta a opção dá fé. É como se o kawrah (turbante) envolvesse e protegesse os pensamentos. Ele é usado apenas pelos homens

Na cultura indiana tem um forte significado religioso, de maturidade/elevação espiritual e também de identificação de classe social. É o principal símbolo da fé Sikh, religião monoteísta indiana. Nela os homens e mulheres não devem cortar os cabelos e sim utilizar os turbantes para envolvê-los. E no dia mundial do turbante (13 de Abril) os homens Sikh exibem seus exuberantes turbantes com orgulho e como exemplo para as novas gerações para que o hábito e a religião não se percam.

Na Índia os turbantes também são utilizados para proteger a cabeça do clima severo do deserto. Representam sem nenhuma palavra a casta de quem o usa, o status financeiro e a religião. Os principais tipos de turbante são o Safa, uma tira de tecido de cerca de 9m de comprimento e 1m de largura, e o Pagdi, que tem cerca de 1,50m por 1m de largura.

Culturalmente por lá, tirar um turbante e colocá-lo sobre os pés de alguém é um sinal de submissão e ao trocá-lo com alguém você estará cimentando laços de irmandade. De tão importante, na cidade de Jaipur, existe o museu do turbante e muitos turistas vão até lá para comprar um original.

Os reis utilizaram no passado e os marajás também ditando a moda para a população. Hoje continua sendo usado e é item indispensável nas cerimônias de casamento sendo usado pelo noivo.

Na África os tecidos enrolados no corpo fazem parte da cultura e os turbantes fazem parte dessa indumentária completando o conjunto. São utilizados por homens e mulheres e na África Negra, o chamado turbante gele tem funções sociais e religiosas.

Existe também o Ojá que pode ser usado como turbante enrolado na cabeça das mulheres ou sustentando crianças nas costas das mães. Nas religiões africanas além de turbante, o tecido pode ser usado rodeando o busto e terminando num laço (na roupa de alguns orixás); amarrando com um grande laço ao redor dos atabaques em cerimônias importantes e atado ao tronco de uma árvore sagrada (sua cor pode variar conforme orixá).

O turbante, Ojá (ou torço) chegou ao Brasil pelas mãos dos africanos que eram trazidos como escravos. Assim como na África ele também tem função religiosa, sendo utilizado no candomblé, umbanda, xangô do nordeste com as mesmas finalidades, variando o número de abas de acordo com o Orixá. Representa senioridade e respeito e serve de proteção para os filhos de santo, principalmente as mulheres.

Por volta de 1920, o costureiro francês Paul Poiret trouxe os turbantes ao cenário fashion. Coco Chanel também iria aderir ao adereço.  A moda, porém, realmente se popularizou no final dos anos 30, com a eclosão da II Guerra Mundial. Em tempos difíceis, os práticos turbantes se tornaram uma ótima ajuda para disfarçar cabelos mal cuidados. Muitas atrizes de Hollywood apareceram retratadas com glamorosos turbantes nos anos 20 a 40. No Brasil, Carmen Miranda iria adotar o acessório no seu figurino. Nos anos 60, o turbante ressurgiu como símbolo da cultura negra, nos movimentos que lutavam pelos direitos civis.

O debate de apropriação Cultural trato no texto A quem pertence a minha cultura?

Para nós, mulheres negras o uso do turbante remete a valorização da nossa história, das nossas crenças e principalmente da valorização da nossa beleza e cultura, tão negada e muitas vezes invisibilizadas. RESPEITE.

É sim um dos nossos símbolos de empoderamento!!!

Segue um tutorial de turbantes da Lorena Morais do blog Encrespando

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