Em defesa de todas as formas de corpo

Utilizar uma linguagem anti-racista e anti-machista é um exercício diário e não é fácil. Muitas vezes passamos por chatas e exageradas quando dizemos que determinados termos são racistas ou machistas. Recentemente fiz um concurso federal onde me inscrevi nas cotas para afro-descendente. A banca avaliadora com muita tranqüilidade usava o termo “enegrecer” ao invés do usual “esclarecer”.  Senti-me muito a vontade com isso.

Nossa linguagem muitas vezes expressa (pré) conceitos que carregamos sem nos darmos conta. Um deles é o conceito de padrão de beleza. Quando olhamos a imagem  da Ana Paula Arósio, por exemplo, pensamos: “Que mulher bonita”.  Porém  ao visualizar a Tais Araújo o que geralmente ouço é “Que negra bonita”. A Fabiana Karla é “A gordinha bonitinha”.

Quero dizer com isso que ao repetir essas frases estamos dizendo que a beleza verdadeira da mulher é a branca, magra, de olhos claros e de preferência com curvas suaves. As demais são subcategorias de beleza. O que está implícito é que negras e gordas surpreendem quando são bonitas, daí a necessidade de destacar o grupo. Como se um grupo fosse originalmente belo “por natureza” e os outros “por exceção”.

A beleza das mulheres brancas está relacionada a uma imagem angelical, de porcelana. Já a das mulheres negras geralmente é associada à sexualidade, a ser gostosa. Neste caso o preconceito é evidente. Isso reflete o ideário de nossa sociedade patriarcal e racista que coloca a mulher branca como a mulher “pra casar” e a mulher negra como a “pra comer”.

Quando se trata de gordas a opressão também é muito forte. Quase sempre ser gorda é associado a falta de cuidado com o corpo, falta de vaidade. Quantas vezes as mulheres gordas ouvem a frase “seu rosto é tão lindo, porque você não emagrece?”.  O debate da gordofobia ainda é incipiente. Muitos entendem gordos como engraçados por sua forma diferente do padrão aceitável e que precisam ser necessariamente simpáticos e divertidos para serem aceitos socialmente. Mais uma vez o sistema impondo padrões e papeis.

Por isso defendo: Abaixo padrão de beleza! A favor de todas as formas de corpo!

Faço a pergunta: Das mulheres da imagem qual é bonita? Avalie se você superou ou não a ideia do padrão de beleza imposta pelo capital

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