Dia do Homem ou Dia do Macho?

É importante que fique entendido que o “Dia do homem” foi criado com o foco na atenção a saúde do homem. Sabemos todos que os homens têm expectativa de vida menor do que as mulheres. Porém nosso sistema capitalista transformou este “Dia” não somente em mais uma data de consumo, mas em uma data que celebra o patriarcado e exalta o machismo.

O dia internacional do homem é comemorado na data de 19 de novembro. Essa data foi proposta pelo médico Jerome Teelucksingh, de Trinidad e Tobago, tendo em vista pôr em destaque a saúde do gênero masculino à comunidade internacional e propôs à Organização das Nações Unidas (ONU), em 1999, que fosse criado um dia para tal objetivo. Uma das principais preocupações é a conscientização a respeito do câncer de próstata, que atinge grande parcela da população masculina de todo o mundo.

No Brasil, a data foi proposta pela Ordem Nacional dos Escritores em 1992. Desde esse ano, as atenções para tal data vêm se tornando crescentes, sobretudo por parte de autoridades políticas e por núcleos de especialistas na saúde do homem.

Pois bem, hoje, dia nacional do homem, digitei no Google “dia do homem”, adivinhem qual a primeira notícia em destaque que surgiu: ATENÇÃO, MARMANJOS! NO DIA DO HOMEM CONFIRA O ESPECIAL COM AS GATAS QUE PASSARAM PELO ENSAIO”.

O sentimento foi de provocação. Precisamos conversar com os homens sobre o que é machismo. Entendendo isso acho que ficará mais fácil entender e encampar as pautas feministas.

O que é machismo então?

Segundo o dicionário Michaelis, machismo é “um comportamento de quem não admite a igualdade de direitos para o homem e a mulher”. Não admitir igualdade significa entender o outro como inferior, e por tanto com menos direitos e sob o comando do ser superior.

A conseqüência direta é a determinação de papéis a serem desempenhados pelas mulheres, tanto nas tarefas públicas como nas tarefas privadas. Mas vai além das tarefas, também é imposto as mulheres o comportamento emocional socialmente aceitável e a manutenção do seu corpo dentro de um padrão de beleza.

Entendendo que a sociedade capitalista se alicerça no patriarcado, conservar as mulheres submissas é necessário para a manutenção do sistema. Para justificar esta afirmação vou utilizar o exemplo do papel social mais naturalizado pela mulher, a de responsável pela organização do lar e cuidado da família.

Neste papel imposto a mulher ela tem por obrigação manter a arrumação da casa, cuidar dos filhos, e do marido. Sabendo que neste caso cuidar significa cozinhar, lavar, passar, educar, limpar, cuidar da higiene pessoal das crianças e das tarefas escolares. Essa imposição é replicada pelas escolas, pela igreja, pela mídia e pela própria família que reproduz esta vivência.

A entrada da mulher no mercado de trabalho não retirou delas este papel. Pelo contrário, aumentou a exploração sobre as mulheres. Na maior parte dos casos, quando as crianças estão em idade pré-escolar, quem cuida das crianças até o retorno da mãe do seu trabalho é outra mulher, a avó. Essa dupla jornada de trabalho beneficia o sistema.

Como? Essa dinâmica retira do Estado obrigações como a ampliação de construção de creches, escolas, contra-turnos, atividades extracurriculares, etc. O Estado economiza mantendo a mulher na condição de Rainha do lar. As trabalhadoras assumem responsabilidades que deveriam ser do Estado, porém é tão naturalizada essa condição, que nem sequer é questionada pela maioria das mães.

E o homem? Cumpre o papel de patrão. É ele quem irá cobrar pela execução das tarefas impostas à mulher. É ele quem pergunta “a janta tá pronta”, “as crianças já fizeram a lição”, “tem sobremesa”, “ta engordando hein”. Segundo Ana Pagamunici, quando o homem trabalhador trata sua mulher, também trabalhadora, como uma empregada, que tem a obrigação de cuidar das tarefas da casa sozinha, ele está reproduzindo o capitalismo. É certo que os homens podem imediatamente se beneficiar dessa condição. Porém, se são socialistas e querem derrubar o sistema, precisam também enfrentar a mão do capital dentro do lar, porque o que se reproduz não é uma relação entre duas pessoas, mas sim os interesses do capitalismo.

Por isso neste Dia do Homem, criado para dar atenção a saúde deles, fica a dica: Dia do homem não é dia do macho

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