Ele diz “o pior já passou”. Eu duvido.

Tenho acompanhado com interesse as manifestações públicas do (DES)governador Beto Richa. Ainda não consegui desvendar qual é o objetivo que orienta sua estratégia de continuar atacando e culpabilizando os professores pelo massacre do dia 29 de abril. Se a expectativa é mudar a opinião pública a respeito dos fatos ocorridos, só posso concluir que ele está muito mal assessorado.

As argumentações apresentadas pelo governo para tentar desacreditar a APP-Sindicato foram todas ineficientes e rapidamente desmentidas. Como não atingiu a entidade começou o trabalho de tentar descredibilizar os professores.

Inicialmente tentou vincular a imagem da APP-Sindicato a um partido político. Não colou. Se o partido tivesse esta força de mobilização no estado do Paraná, certamente o atual (DES)governador não teria sido eleito e reeleito. Em paralelo tentou desqualificar as lideranças da entidade. Não funcionou também. As lideranças da APP que mais foram atacadas (Professor Hermes Leão e  Professora Marlei Fernandes) juntamente com a direção do sindicato, conduziram a greve respeitando sempre as deliberações tomadas em assembléia pela categoria, assim como as decisões do Fórum de Entidades Sindicais do Paraná – FES. Esta postura só aumentou o respeito por eles dentro da categoria e diante do conjunto do funcionalismo público estadual. Na sequência tentou convencer a população que foram os manifestantes que avançaram sobre os policiais, com black blocs infiltrados, (munidos de cocktel molotov). As imagens e vídeos divulgados internacionalmente sobre o massacre do dia 29 de abril, além da investigação do Ministério Público provam o contrário.

Sem sucesso também foram às tentativas de manipular informações apresentando (pseudo) super salários  dos professores no Portal da Transparência.  As informações foram manejadas de maneira tão estapafúrdias que a justiça determinou que fossem retificados, no Portal de Transparência, os valores das remunerações que estavam distorcidas e sem justificativa real dos pagamentos de abono de férias, progressões e promoções e outras verbas indenizatórias. Confira aqui a decisão do judiciário.

Na reunião com os Prefeitos do interior, realizada no dia  07/07/2015, chegou ao extremo de proferir: “Em Curitiba, quando era prefeito, dei 70% de aumento aos professores. E, lá, atingimos o maior Ideb do Brasil. Aqui, não conseguimos, porque na pauta dos sindicatos nunca consta a qualidade do ensino. É só salário, gratificação e hora-atividade”. Queria relembrá-lo então de dois dos pontos da pauta da greve: Retomada imediata dos projetos educacionais e programas e; Abertura e reabertura de turmas/matrículas, contra a superlotação de salas de aulas. Nem vou me dar ao trabalho de descrever a luta da APP para garantir um ensino de qualidade, acho que é de conhecimento público.

Cheguei a pensar que por traz das atitudes e discursos do (DES)governador havia uma estratégia de marketing que visasse reconstruir sua imagem e retomar sua popularidade com a sociedade paranaense. Porém, analisando a trajetória política do Beto Richa a partir do massacre do centro cívico, minha avaliação é que o que move sua verborréia em relação a APP é um sentimento de vingança e revanchismo, muito comum em piá de prédio.

Ele diz que “o pior já passou”, eu duvido

Anúncios

Qual sua opinião sobre este assunto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s