Companheirismo

Hoje o assunto é pessoal. Geralmente posto opiniões sobre atualidade. Hoje não.

Dentro do campo da esquerda, especialmente dentro dos grupos que discutem feminismo, um debate recorrente nas rodas informais  é como manter um relacionamento duradouro sem que uma parte oprima a outra. Este assunto é complexo e existem muitas divergências.

Aprendi que para estabelecer e manter um relacionamento, além da questão sentimental é preciso que ambos tomem a decisão racional de “fazer dar certo” o envolvimento com o outro. Parece óbvio, mas não é. Muitos relacionamentos começam com uma das partes com a ideia de que ficarão juntos até o primeiro conflito. Algo do tipo “deu problema não quero mais”. Estes casos estão fadados ao fracasso.

Que fique claro que não estou falando de envolvimento por divertimento. Estou tratando de manter um relacionamento.

Que fique claro também que respeito quem decide ser solteira (o). Não tenho a visão que para ser feliz é necessário ter alguém. Isso é imposição da nossa sociedade. Cada um tem sua própria maneira de encontrar a felicidade.

Tem dois aspectos que para mim são fundamentais na manutenção de um relacionamento sadio: Honestidade e respeito. Não concordo com um modelo padrão de relacionamento. Acredito que funciona melhor quando cada casal, conforme sua realidade pactue seus acordos de convivência e os seus limites. Para isto é preciso honestidade na hora de firmar as bases da relação e respeito para manter-se nos limites acordados. Temos criatividade o suficiente para nos relacionarmos de diversas formas. Importante mesmo é criar mecanismos onde os envolvidos sintam-se amados e não prisioneiros de regras que não acredita.

Quando os acordos firmados são seguidos, quando a relação traz felicidade e crescimento pessoal para ambos, aí sim verdadeiramente existe companheirismo.

É assim que me sinto. Tenho um relacionamento onde somos honestos um com o outro, respeitamos os limites um do outro, seguimos o acordo pactuado, ajudamos um ao outro a crescer como pessoa, como profissional e como militante. Somos companheiros.

Tudo deu tão certo que hoje temos um casal de filhos como resultado dessa relação. Filhos que tentamos criar dentro da ideia que compartilhar é melhor que possuir. Com a ideia de aceitação das diferenças, de respeito à diversidade, com conceitos de inclusão e decisões democráticas. Filhos que criamos sem agressão física e que ensinamos que racismo, machismo e LGBTfobia é pura e simples ignorância.

Achei meu companheiro e ele também me achou.  Esse texto é mais uma forma de dizer que eu o amo. Juntos a cada dia somos pessoas melhores. Eu sou uma pessoa melhor desde que o conheci.

Para terminar segue a música que marcou nosso início de relacionamento.

 

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3 comentários sobre “Companheirismo

  1. […] Tenho amigas que o companheiro se relacionou com outra mulher e na justificativa ele afirmou que nunca foi combinado a exclusividade. Ela que está surtando por um acordo que não aconteceu. Ela que criou uma expectativa romântica inexistente. Ela que esta estava errada em esperar fidelidade. Sobre isso escrevi o texto Companheirismo. […]

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  2. Olha, digo que seria maravilhoso se pudéssemos viver todos em sintonia com o próximo. Principalmente com os mais próximos de nos. Aceitar as diferenças de cada um. Mas vejo que ha a necessidade daqueles com pensamentos contrários e pontos de vistas diferenciado, para que se faça o crescimento de ambos em todos os sentidos imagináveis. Visto que assim como não temos a mesma cor de olhos e não calçamos o mesmo numero de sapatos, podemos não compactuar os mesmos pensamentos e atitudes. Eis então aí, as leis e as religiões para por um freio ao ser humano. Senão tudo seria um caos. Como não sou dono da verdade

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    • Não creio que o Estado deva regular como devemos nos relacionar afetivamente. E a religião deve orientar aqueles que optam em crer naquela fé, e não a sociedade como um todo. Isso seria ir na contra mão do que a própria Igreja acredita e prega que é o “Livre Arbítrio”.

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