Somos todos iguais, somos todos trabalhadores! Será?

Em uma discussão recente sobre a necessidade de camisa diferenciada para as mulheres, negros e jovens em um congresso, ouvi uma fala que até agora ecoa no meu ouvido. Somos todos iguais neste espaço, as camisas também devem ser. Será?

Se isso fosse verdade não estaríamos ainda lutando pela paridade de gênero nos espaços de decisão. Se isto fosse verdade haveria mais negros nos espaços de decisão. Se isso fosse verdade haveria mais jovens nos espaços de decisão. Isso considerando juventude trabalhadora os que possuem menos de 35 anos.

Essa realidade não está posta ainda em espaços de direção da maioria das entidades de trabalhadores, sejam sindicatos, federações, confederações ou centrais, excetuando os sindicatos de categorias majoritariamente femininas. Ainda nos sindicatos de maioria da categoria feminina é possível perceber a minoria negra e jovem. Alias este tema de por que algumas profissões se configuram femininas é um bom assunto de debate. Mas depois escrevo sobre isso.

Em grande parte das entidades de trabalhadores é possível observar que a única mulher na direção ocupa a pasta de secretaria de gênero. O mesmo ocorre para a negros e jovens nas pastas análogas. Dificilmente encontramos estas minorias empoderadas em pastas de estrutura, como tesouraria ou secretaria geral. Porque será? Possuem menos capacidade? Possuem menos experiência? A realidade infelizmente está na desigualdade de oportunidades que o sistema capitalista nos impõe.

As mulheres latino-americanas ganham menos, mesmo que possuam um maior nível de instrução. Por meio de comparação simples dos salários médios, pesquisas constatam que homens ganham 10% a mais que as mulheres. Já quando a comparação envolve homens e mulheres com a mesma idade e nível de instrução, essa diferença sobe para 17%. Da mesma forma, a população indígena e negra ganha em média 28% menos que a população branca de mesma idade e nível de instrução.

De acordo com a pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID -, os homens ganham mais que as mulheres em todas as faixas de idade, níveis de instrução, tipo de emprego ou de empresa. A disparidade é menor nas áreas rurais, em que as mulheres ganham, em média, o mesmo que os homens. A menor diferença salarial relacionada a gênero está na faixa mais jovem da população que possui nível universitário, sendo a defasagem mais baixa entre trabalhadores formais e mais alta entre aqueles que trabalham em pequenas empresas.

O Brasil apresenta um dos maiores níveis de disparidade salarial. No país, os homens ganham aproximadamente 30% a mais que as mulheres de mesma idade e nível de instrução, quase o dobro da média da região (17,2%), enquanto na Bolívia a diferença é muito pequena. O resultado é o mesmo no que diz respeito à disparidade por raça e etnia, que chega também a 30%.

Será que somos mesmo todos iguais dentro da classe trabalhadora? Acredito que não. Defendo as camisas diferenciadas, para mostrar que estes grupos estão presentes, mesmo que em minoria. Precisam ser enxergados, valorizados e empoderados! Ainda estamos lutando por igualdade de oportunidades.

Clique aqui e confira a pesquisa do BID na Integra

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