“Paridade? Até concordo, mas não pode ser qualquer mulher”. Como assim Companheiro?

O pior é que já ouvi mulheres fazendo esta defesa. Formação não é pré-requisito para homens iniciarem na militância, porque então deve ser para as mulheres? A formação é permanentes companheiros e companheiras. Militante é forjado na luta, não importa o gênero.

Tenho visto o debate sobre paridade tomar rumos inimagináveis. Vou dar um exemplo fictício. A direção do curso de filosofia marinha é composta por 10 membros, oito homens e duas mulheres. No congresso da categoria foi aprovada a paridade de gênero na direção. Ao invés de trocar três homens por mulheres, o curso abre mais seis vagas para mulheres.

Alguns dirigentes homens querem perpetuar no poder. Chego a escutar “Abro mais vagas, mas não abro mão do meu cargo. E essas mulheres que chegarem, ou cheguem muito bem preparadas ou serão atropeladas”.  Daí vem o discurso: você não tem experiência… Você tá chegando agora não sabe do que estou falando… Não pode ser qualquer mulher, tem que ter formação…

Quando um homem novato chega ao movimento ouvimos coisas do tipo, “tem que ter paciência, ele é novo”, “ele está em formação ainda”, “ele ainda não está maduro”. Quando é uma mulher você escuta “Culpa da bendita paridade (ou cotas)”.

Nestas situações penso no ingresso das mulheres no mercado de trabalho. Nas piores colocações, com salários mais baixos, em funções que se assemelhem a funções maternas – cuidar de lar, cuidar de enfermos, ensinar crianças. Na militância não é diferente. As mulheres ou estão em pasta de mulheres, ou estão nas piores colocações, dificilmente estão em pastas de destaques como, por exemplo, presidência, tesouraria, formação.

De tudo que já ouvi faço um breve resumo:

  • Se somos jovens, não temos experiência,
  • Na meia idade temos os filhos como restrição, aquelas que optam por não ter, são mal-amadas, ou promíscuas.
  • Após cinquenta, temos que dar espaço para a juventude.

CONCLUSÃO: Não servimos para ser dirigente.

Mas ver machismo em homens que ocupam cargos de destaque em suas entidades não é pior que ver uma mulher escolher ser sucedida por um homem ao invés de empoderar uma companheira. Foi doloroso ouvir recentemente de uma dirigente que investir em um companheiro neste momento era estratégico. Quando será estratégico investir em uma mulher? Quando ela não quiser/puder engravidar? Quando ela não tiver filhos pequenos?

Dá pra perceber o quanto essa dinâmica é cruel?

Importante aqui é deixar o recado que paridade não é uma questão numérica. Paridade de gênero significa igualdade na representação política entre homens e mulheres. Significa reconhecer a importância social, econômica e política das mulheres, e a partir de um princípio de justiça social assumir que as mulheres têm o direito de ser representadas em condições de igualdade nos cargos de direção.

É isso que defendo

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2 comentários sobre ““Paridade? Até concordo, mas não pode ser qualquer mulher”. Como assim Companheiro?

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