Sou militante e tenho fé. Divergência?

Não vejo desta forma. Se a principal regra é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, não vejo nenhuma discordância em militar por um projeto de sociedade que traga benefícios para  todos.

Tornou-se popular a frase do Papa Francisco “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra e nenhum trabalhador sem direitos” e isto só corrobora com a questão de que quem tem fé tem o dever de lutar no mínimo por justiça social.

Aqueles que me conhecem sabem da minha origem religiosa. É recorrente ouvir perguntas sobre questões polêmicas como: Qual tua opinião sobre aborto? E sobre união civil de pessoas do mesmo sexo?

Para cada um dos temas tenho duas respostas.

Sobre aborto:

  1. Minha opinião na dimensão individual (singular) é embasada na minha fé. Sou contra. Não entendo que o corpo da mulher seja mais ou menos importante que o corpo do feto. São dois seres humanos. As duas vidas têm o mesmo valor. Porém só uma pode optar. O que torna a situação no mínimo desigual.
  2. Minha opinião na dimensão política (Universal) é que o aborto deve ser sim descriminalizado. Nem todos têm a mesma fé que eu. Nem todos têm fé. O Estado é laico e tem que garantir condições de saúde e segurança para as pessoas que decidirem interromper a gestação.

Convencer as pessoas se deve ou não fazer o aborto é função da Igreja. Dar condições para que a gestação ou sua interrupção aconteça em segurança é função do Estado.

Sobre união civil de pessoas do mesmo sexo:

  1. Quem legisla é o Estado. Casais do mesmo sexo têm sim que ter os mesmos direitos legais que casais de sexo diferente. Não consigo compreender diferente.
  2. Se a homossexualidade está certa ou errada, o que posso responder é que para mim o Amor está sempre certo. Lembrando que a orientação sexual não é opção, portanto não é algo que possa mudar de acordo com o desejo de cada qual. Ela se refere a como nos sentimos em relação à afetividade e sexualidade. Sendo assim, como pode ser incorreto? O próprio Papa disse: “Se uma pessoa é gay e procura Jesus, e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? O Catecismo diz que não se deve marginalizar essas pessoas por isso. Elas devem ser integradas à sociedade. O problema não é ter esta tendência. Devemos ser irmãos.”

Apesar de muitas vezes ter tido duros embates com militantes que entendem que para ser marxista necessariamente é preciso ser ateu, e da mesma forma com companheiros da igreja que entendem que para defender a família  cristã é preciso defender o patriarcado, insisto que é possível aliar os ensinamentos cristãos sobre o amor ao próximo com a luta de classes. E na minha visão milito por uma sociedade socialista exatamente por amar o próximo.

Termino com o versículo da Carta de São Pedro  “Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito” I Pe 3:15

Anúncios

Qual sua opinião sobre este assunto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s